Projeto proíbe entrada de agenciadores de modelos em escolas do Município

por Imprensa publicado 17/03/2020 13h20, última modificação 29/04/2020 12h12
Proposta foi aprovada em primeira votação pela Câmara de Vereadores de Tijucas

Os vereadores da Câmara Municipal de Tijucas aprovaram no dia 16 de março, em primeira votação, o Projeto de Lei nº 68/2019, que pretende proibir que agenciadores de modelos e atores recrutem clientes dentro das escolas municipais. Com isso, a proposta visa reservar o ambiente escolar exclusivamente para atividades educacionais, resguardando as crianças e suas famílias de expectativas exageradas e ilusórias sobre a carreira de modelo.

Autora do projeto, a vereadora Fernanda Melo Bayer (MDB) lembra que casos negativos já aconteceram no Município. "Tivemos a divulgação por parte de uma agência de modelos, que inclusive usou o anfiteatro, e dias depois teve a prisão do seu diretor decretada por envolvimento em vários crimes", comentou.

Para o vereador Esaú Bayer (MDB), a medida é importante porque protege as crianças contra propagandas enganosas. "Às vezes a criança chega em casa toda iludida porque recebeu um convite para participar de uma agência de modelos, sendo que muita vezes não é tudo aquilo que está sendo vendido. Fica depois o constrangimento dos pais em dizer não para o filho, seja porque o material não presta ou porque não têm condições de pagar", disse.

A vereadora Maria Edésia da Silva Vargas (PT), a Déda, também lembrou da importância dos pais, que devem adotar uma postura realista em relação aos convites. “Para nós, pais, nossos filhos são lindos, mas nem todos servem para modelo. Muitas vezes a criança chega em casa e os pais ficam encantados com a possibilidade de sucesso dos filhos, investindo uma fortuna nesse sonho. Isso é um problema. Conheço amigas que gastaram muito com viagens para São Paulo, e quando chegaram ao local se depararam com uma fila enorme de meninos e meninas”, comentou.

O vereador Vilson Natálio Silvino (PP) adotou a mesma linha e disse que presenciou um caso na família. "Foi paga uma inscrição de 500 reais para que a criança de nove anos participasse do processo de seleção. Acontece que diversos pais fizeram essa mesma inscrição, a agência recolhei o dinheiro, e ao final de tudo nenhum dos candidatos foi escolhido", falou. De forma complementar, o vereador Cláudio Tiago Izidoro (sem partido) afirmou que há uma verdadeira máfia por traz de algumas agências, e que a lei vai proteger jovens e crianças, preservando também seus valores.

Por fim, o verador Fabiano Morfelle (PDT) finalizou afirmando que o projeto representa uma forma de prevenção, e que a criação de uma norma em âmbito local facilita o trabalho da Secretaria Municipal de Educação, que encontrará na lei uma segurança para enfrentar abusos dentro do ambiente escolar.

Tramitação

Para que seja transformado em lei, o PL 68/2019 ainda deve passar por uma segunda votação, cuja data ainda não foi agendada. Se for aprovado em segundo turno, o projeto segue para o Prefeito Municipal, que poderá vetar o projeto (integralmente ou parcialmente) ou sancioná-lo integralmente.